domingo, 19 de agosto de 2012

AS MENTIRAS DESCOBERTAS.

22 de abril de 1500, data que oficialmente marca a fundação do Brasil. Neste período, os portugueses ocupam o território cercado por Pau-Brasil, riquezas naturais, belos animais e os povos originais (popularmente chamados de índios).
O 22 de abril não é comemorado nacionalmente porque, nesta data, a sociedade reflete sobre o surgimento desse país, dessa nação. Somos fruto de uma "mistura", um encontro conflituoso entre três grupos étnicos (indígenas, africanos e portugueses) que solidificaram o nosso Ethos e o nosso Modus vivendi.
Quem pensa que o processo foi harmônico se engana. O colonizador (o português) aprisionou indígenas, escravizou africanos, impôs seu jeito, sua língua, sua religião, mas houve muita resistência e revolta.
Ao longo desses 509 anos foram intensos os conflitos e lutas pela libertação, pela dignidade e pela democracia na nossa nação. Confederação dos Tamoios - revolta indígena, Rio de Janeiro (1556-1567) ,Guerra dos Aimorés - índios contra luso-brasileiros, Bahia (1555-1673) Guerra dos Potiguares - índios contra luso-brasileiros, Paraíba e Rio Grande do Norte (1586-1599) , Levante dos Malês em 1835 em Salvador, Revolta de Búzios ou Conjuração Baiana de 1798, Guerra de Palmares de  1690 a 1695 na serra da Barriga, região hoje pertencente ao estado de Alagoas.
São estes e outros conflitos e lutas que demonstram  que o nosso país ainda é um espaço em plena ebulição, uma atmosfera  de contrastes, preconceitos, riquezas e pontencialdades.
Não temos o que comemorar, mas a pergunta ainda persisti: Invenção, achamento, conquista, descoberta ou invasão?
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sábado, 18 de agosto de 2012

INDIOS: Seridó - RN

Índios chamados Tapuia ou nômades chefiados por Janduí


Naquele mundo cheio de pedras, serras semi-áridas, garranchos, vales e rios secos ou sazonais, habitado por gente de grande resistência, alegre, feliz, amiga e hospitaleira – tivemos um acontecimento que se projetou em toda a Europa: a festa ou ritual3 da passagem, realizada pelos índios Tarairiú, em junho de 1647, ali reunidos pelos seus caciques chefiados pelo maioral Janduí.


No “seu altar para os céus”4 – a serra Macaguá, atual Serra de Santana, os indígenas reuniram-se numa “aresta estreita e comprida, que mede, aproximadamente, 10 quilômetros por 1.500 metros”5 – onde estavam preparando as suas festas, no final de junho, sob todo o rito selvagem, através da bebida, comida e também da antropofagia com respeito e admiração pelos seus valores humanos vivos e mortos.



Aquele local não pode ser outro, a não ser onde, atualmente, localiza-se o açude Marechal Dutra – ex-Gargalheiras, município do Acarí, desmembrado de Caicó, da antiga região do Seridó6 – por onde viviam os índios chamados Tapuia ou nômades chefiados por Janduí e outros caciques valentes, poderosos, corredores e destemidos.


As estimativas são de que 3 a 5 mil índios – mulheres, homens e crianças tapuias foram participar daquela festa7 ou Toré, em nome do deus Taúba, com atos e cerimônias de partos, mudança de idade, união conjugal, danças, cantos, corridas do tronco, bebidas e alimentos durante várias noites, queima de fogueiras, morte e nascimento de crianças, cura de doentes, além do canibalismo próprio dos índios Tarairiú.


Naquela oportunidade, certamente o rio Acauã – já estava com muita água pluviométrica, a qual fazia um espelho sob a claridade da lua, enquanto o clima era frio, levado pelo vento norte que assanhava os cabelos longos8 dos índios e levantava as folhas que cobriam o corpo das mulheres.


Parece que nada foi feito neste sentido, pelo menos, no Rio Grande do Norte, menos ainda na região Nordeste ou no Brasil – considerando o valor9 cultural, antropológico, histórico e, também sociológico para todo o país, como fator de reconhecimento em torno de nossas origens.


Os indígenas do Rio Grande, com sua beleza natural e seus feitos culturais – continuam esquecidos e abandonados, desde o período colonial, pelos artistas da terra, a exemplo10 do que tem ocorrido com as demais categorias sociais, em decorrência da ação separatista de uso e abuso comuns.


O monumento da Serra Macaguá foi publicado em Paris - 1651, pelo filósofo e historiador francês Pierre Moreau, depois de haver consultado o original das Relações de Viagem, escrito com falhas e erros, em 1647 pelo representante dos holandeses junto aos índios, Rodolfo Baro. 11


Moreau ganhou fama e prestígio em toda Europa iluminista com a divulgação do seu trabalho referente às festas dos índios Tarairiú na Serra Macaguá, vez que naquela época a cultura européia estava voltada para os acontecimentos das viagens pelo Novo Mundo, especialmente no tocante aos povos indígenas que causavam admiração12 aos civilizados.


Naquele mesmo ano – 1647, o holandês Gaspar Barléo, ao publicar o livro da história do governo flamengo no Brasil, com Maurício de Nassau, deixa de mencionar os relatos da viagem de Baro aos Tarairiú, exceto as palavras “um certo Baro” que prestava serviços ao governo da Holanda no Brasil.

BRASIL: que não foi descoberto e sim invadido.

As terras que fazem parte de Ceará-Mirim começaram a ser povoadas desde os primeiros tempos da colonização portuguesa. Era uma região conhecida por “Seara”, onde habitavam os índios Janduís e onde segundo os historiadores nasceu o índio Poty, que se destacou na luta contra a segunda tentativa da invasão holandesa. Essas terras foram concedidas em sesmarias ao português João Fernandes Vieira.
            Posteriormente essa região ficou conhecida por “Boca da Mata”, uma área roçada de algodão e cereais que até o final do século XIX pertencia a Vila Nova de Extremoz do Norte.  Mas com o desenvolvimento da cultura canavieira, o deputado José Alexandre Seabra de Melo apresentou um projeto em 16 de Julho de 1855  pedindo a transferência da sede de Vila Nova de Extremoz do Norte para Boca da Mata que foi elevado à categoria de vila com o nome de Briosa Vila de Ceará-Mirim.
            Apenas em 1858, após a construção da Câmara Municipal e de uma delegacia, que a Briosa Vila de Ceará-Mirim recebe foros de cidade, passando o município a se denominar Ceará-Mirim, cujo nome provém de um vocábulo indígena que dentre suas traduções possui a de “canta ou fala papagaio pequeno”.